Parnasiano q.b. ( quanto baste)
Gritaríamos ao mundo: é bom amar e ser vegano!
Não se crer soberano, ou qualquer outro engano...
Mas nem sempre há eco num discurso libertário,
e por isso nos esforçamos no argumento culinário.
Fazer comida gostosa define muito bem a missão,
escolher, dosar temperos, mas que bela obsessão.
Alguns se pegam só com as pontinhas dos dedos,
ao passo que outros, recomenda-se encher a mão.
Temperos bravos e valentes, que afastam medos,
condimentos afetivos, que fraco coração aquece.
Pode-se mesmo temperar só com os sentimentos,
mas tempero industrializado, aí ninguém merece!
Porque ser brasileiro é saborizar com rapadura,
e nada é mais nobre que valorizar a agricultura.
Sentir gratidão ao sol, à chuva e até aos ventos,
à mãe natureza, também a todos seus rebentos,
dos doces frutos saber extrair todo supra sumo,
que nessa vida já escolhemos bem o nosso rumo:
nada levar daqui, a não ser o tal aprendizado,
e amar e respeitar, para oferecer fugaz legado,
temperar na vida, e só restar em sua memória,
apenas aroma, que seja simples a nossa estória.